
Ana Lúcia Vieira de Andrade, professora doutora em Estudos Hispânicos pela McGill University, com especialidade em Teatro Brasileiro, que atuou profissionalmente no Programa de Pós-Graduação em Teatro da UNIRIO como professora e pesquisadora de 2003 a 2007, em parceria com Ana Maria Bulhões de Carvalho, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Teatro da UNIRIO.
Pois é, mais de um ano depois o livro A Mulher e o teatro brasileiro do século XX vai - finalmente! - será lançado na próxima terça, dia 25 de novembro, no Espaço Cultural Furnas (Rua Real Grandeza, 219 - Botafogo) e, esta que vos escreve está a caminho do Rio de Janeiro para a noite de autógrafos. Afinal, não sou - ainda! - uma fera, mas como sempre gostei de estar entre elas, para exercitar minha vocação de aprendiz, integro o time de autores do livro.
Com o objetivo principal de discutir o lugar da mulher no teatro brasileiro como empresária, dramaturga, encenadora e atriz, a fim de estabelecer a relevância do papel de nomes como Bibi Ferreira, Dercy Gonçalves, Tonia Carrero, Cacilda Becker, Maria Della Costa, Dulcina de Moraes, Fernanda Montenegro, Bia Lessa, Marília Pêra e outros para a cena e a cultura nacionais, o livro busca explicitar a contribuição de cada uma dessas personalidades para o desenvolvimento do teatro moderno no Brasil do século XX.
Segundo Ana Lúcia, "é um projeto que busca valorizar os ícones femininos que ajudaram a escrever a história dos nossos palcos através de um mergulho em suas biografias, carreiras e no tipo de intervenção estética proposta por cada uma delas
No mesmo Espaço Furnas Cultural já está aberta, desde o dia 6 de novembro, uma exposição com o mesmo título do livro. A exposição reúne imagens que vão, cronologicamente, dos primeiros anos do século XX até a década de 1990, apresentando, também, em vídeo digital, algumas das performances femininas mais memoráveis da cena brasileira. Imperdível os vídeos de Bibi Ferreira em Gota d'água e de Fernanda Montenegro em As lágrimas amargas de Petra Von Kant.

Já o livro, editado pela Hucitec e realizado com verba do MEC através da Fundação CAPES, é composto por entrevistas, artigos e depoimentos e conta com os seguintes colaboradores: Sérgio Britto, que escreve sobre Fernanda Montenegro; Maria Thereza Vargas, sobre Cacilda Becker e Tônia Carrero; André Valli, sobre Marília Pêra; Deolinda Vilhena, sobre Bibi Ferreira; Tania Brandão sobre Maria Della Costa; Virgínia Namur sobre Dercy Gonçalves; Sérgio Fonta sobre Dulcina de Moraes; Angela Reis sobre Eva Todor.
Some-se a esses textos os depoimentos de Leilah Assunção, Consuelo de Castro e Maria Adelaide Amaral em entrevista concedida a Ana Lúcia Vieira de Andrade; entrevista de Bia Lessa concedida a Flora Sussekind; depoimento de Maria Helena Kühner; entrevista de Inês Cardoso com Lúcia Coelho (criadora de teatro de bonecos); texto de Inês Cardoso sobre o teatro de Maria Clara Machado; texto de Cláudia Braga sobre Bárbara Heliodora; texto de Marise Rodrigues sobre Maria Jacintha.

Detalhe: os colaboradores são, em sua maioria, doutores em teatro que escreveram dissertações, teses ou trabalhos mais vastos sobre as personalidades que analisam.
Marília Pêra e Nestor de Montemar em Onde canta o sábia (1966)
Além do livro e da exposição o projeto A Mulher e o teatro brasileiro do século XX envolve, também, o lançamento de um documentário intitulado Virgínia Lane e o Teatro de Revista Carioca.
O documentário é um trabalho de cunho histórico, de resgate da nossa memória artística e cultural, no qual se discute temas como o surgimento das revistas, sua construção como gênero, a relação da mulher com esse tipo de teatro, a censura getulista, o cinema da época, os artistas da revista e a trajetória da vedete Virgínia Lane nos palcos do Rio de Janeiro e do Brasil entre as décadas de 1930 e 1960.
As atividades do dia 25 de novembro no Espaço Cultural de Furnas terão início às 18h com a exibição do documentário, em seguida haverá uma mesa-redonda da qual participarão Leilah Assunção, Consuelo de Castro, Maria Thereza Vargas e esta colunista de vocês. Para encerrar a festa a noite de autógrafos, com direito a um coquetelzinho básico que ninguém é de ferro.

Quando mandei um convite para meu amigo Sérgio Farias, ele não perdeu a "deixa" e fez a observação seguinte - diga-se de passagem mais do que pertinente:
- Note-se que, como é usual, usa-se o termo teatro brasileiro para se falar do teatro que se faz no Rio e São Paulo... importante estimular a pesquisa e a escrita sobre o teatro que se faz em outras paragens.
Aproveito meu espaço em Terra Magazine para sugerir, publicamente, a Ana Lúcia Vieira de Andrade que o segundo volume de A Mulher e o teatro brasileiro do século XX inclua algumas atrizes importantes de outros estados. Só assim, nos aperfeiçoando a cada edição, a cada dia, poderemos escrever a verdadeira história do Teatro Brasileiro, mesmo sabendo, que apesar de todos os nossos esforços, ela jamais estará integralmente escrita.
Mas podemos fazer a nossa parte. Espero encontrar no Rio todos os meus amigos queridos e os que não puderem ir ao nosso encontro no Espaço Cultural Furnas podem, e devem, procurar A Mulher e o teatro brasileiro no século XX nas boas casas do ramo, excelente presente de Natal para mães, pais, avós, avôs, filhos, netos. Afinal conhecer a história dos que fizeram esse país é conhecer melhor a sua própria história...
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